segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O POÇO (Inacabada)

Visitei o poço de todas dinastias
E encontrei medos e alegrias longes acalentados.
Dos lugares visitados sem pensamentos
Já não sei se foram ou se invento
Tantas infâncias recordadas.

Uma pureza indecifrável arregimenta
O corpo pregresso a perder-se nos anos.
Imóvel, desata-me o nó do impossível
São ternas amâncias que nos realizam.

Ai deleite em retintas flores orvalhadas
Quais dolentes versos tecidos
Serão mais precisos
Que sepultos remorsos velados?

Não se percebe breve é o tempo que escapa.
Deites e não facilites demais promessas tristes.
Movem-se poesias pagãs dentro dos nomes das coisas.
Poesias perecem ao viço de religiões consagradas.

Há dias anteriores aos meus dias
E neles adormeço;
Há dias que só mágoas e cinzas;
Há dias porém entre vasos e várzeas valias
Que beijo feito olhos.

Ponteio ao cafre dos sonhos,
Nesse alpendre alquebrado de antanho
Onde fui perder-te, fulva criatura: memória
Esquecida e absurda: memória

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