quinta-feira, 9 de julho de 2009

BANZO

Entreaberto o invólucro, vago impuro!
Vou-me, carpindo vento e dormindo,
E assim procuro enclaves em meu desterro.

Meus anéis de saudades coligem
Nos flancos de um calvário enternecido,
Já meus olhos afligem meio à conversação.

Ouço um Blues de ser do lado errado.
Em New Orleans também é conveniente
Silenciar no ensejo o pejo obscuro.

Um narcótico desata o peito humano.
E, se por algum defeito ou que me torna,
Deforma a epiderme a fronteira da alma.

Colágenos grassam o corpo já amolecido.
E antes que o rosto se desconheça,
Possa o rôto desafiar a discórdia da criação.

O que nos resta? Rumores e rosas de festa!?
Somos sós e tudo isso para que não caiba
Nas mãos um só tostão de confissão verdadeira.

Aludem a qualquer metafísica ou morte,
Estranhas preces esculpidas na penumbra.
Muitos de nós vergamos ante a felicidade alheia.

Derrogar à sorte é seccionar a veste.
Temamos as vítimas, elas se desconhecem:
Delatam, orgulham-se, depois matam.

Mas arriscando-me entre sândalos e miasmas,
Pouco podia especular sobre a sorte
No que em mim plasma. Rude ambição...

Novíssima capital nacional: crêem-se todos
O outro de dentro. Burocráticas tangentes, nascem
Inaugurando-se no rock de uma poesia estrangeira:

Pra que correr, correr... Ah, mas se todos correm...
E como eu adentrasse, deliberativo e inutilmente
Àquela justa congenitamente orçada,

Mistério de ministérios: estamos dentro!?
Avento em frascos teorias, e os distribuo,
Ditirambo na farmacopéia da noite imensa.

Exus dançam alegremente na recordação infinda,
E cospem os tambores uma fraseologia mansa.
Dengosamente me chega uma felicidade impossível.

É nestas visitações que minto como quem
Tem merecido exibir um raro berloque.
Mas eu fui expurgado e desgasto a coragem.

Chegado o dia, esqueço de tudo e fico terno.
Porque é dor de inverno e já frio de umidades,
Abraço a engrenagem que me aposenta.

Um comentário: