quinta-feira, 2 de julho de 2009

DESCRIÇÃO ALONGADA SOBRE A CASA ONDE MORO

Moro numa casa decorada de apenas no por fora,
E visito-me no quarto mais escuro.
Estou cego! Estou cego!
Faço recordâncias em profundezas de brejos.
Areal se derretendo, pêndulo em sol,
Navio negreiro berlindo de bem longe... Longe... Longe...
E após escutar Manoel de Barros
Já criei até metas-físicas: como a de atravessar um rio,
Pisar em terra descalço, assobiar pássaros,
E aguardar o regressar manso dos peixes.
Tudo desetiquetas e singelesas miúdas em cordõezinhos para pulseiras.

Não sei se correspondo nada,
Assemelho-me a um parque
Com mármores gastos nas escadas e assentos.
Não carreguei o pendão de nenhuma vitória ou derrota alheia.
Nem sei se sou adequado ou bem vindo
A esteira de brinquedos do vizinho...

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